Descansar

Lembro-me da casa, do som de tranquilidade que cura minhas inquietações e tormentos por algumas horas. Eu posso sentir como se tivesse - no meio do dia - me transportado para aquela rede. Sinto a mesma coisa quando hoje em dia me recordo daqueles olhos. Estou voltando de viagem e me pego respirando profundamente e tendo leveza ao me lembrar dela. Percebo o que estou buscando resolver minha necessidade de silêncio ao seu lado, em seu corpo, na soma de vontades. Eu receio ter minha paz onde não posso controlar, naquilo que não posso prever mudanças. Tenho a falsa ideia de que posso ocupar e cuidar do meu espaço de paz e felciidade, daí me deparo com as lições que recebo da natureza enquanto descanso em minha rede. Eu não controlo quase nada daquilo que compoêm meu cenário; todas as maiores alegrias vêm como presente inesperado e os recebo com toda humildade e encantamento. Quero aprender a receber os movimentos do outro com essa mesma humildade, e a expectativa apenas no inesperado. Não quero... conter, medir, controlar, criar modelos, julgar, atrapalhar, evitar. Desejo esses olhos, esse corpo, esses encontros como quero meu refúgio dos ruídos desta minha alma atormentada. Quero voltar pra ela com a mesma necessidade com que volto para meus pequenos refúgios da natureza. Quero estar aberta para contemplar e ter amor com a mesma delicadeza que me encontro com a natureza. Quero estar aberta ao que não conheço, não espero, não controlo....

Comentários

Postagens mais visitadas