A paz no cotidiano
"Qual a diferença entre uma pessoa mística e uma pessoa comum? Como um místico prepara um café, como lava a louça ou... amarra seus sapatos? A resposta a essas perguntas nos leva a transformar a maneira como realizamos as nossas tarefas diárias, às quais damos pouca importância, por acharmos que são apenas os momentos da vida que lhe dão sentido. A espiritualidade só tem significado quando tem a ver com a vida concreta. Quando ela torna o dia-a-dia amplo e profundo, quando areja e anima. A espiritualidade não se deixa planejar, organizar, dominar. Sua força movimenta, derruba ordens estabelecidas, abre espaço para o novo."
Essa é a sinopse do livro que estou relendo nos momentos de silêncio da minha casa nova. Estou aprendendo a meditar durante minha rotina, a suspirar mais, a respirar com consciência, a me deixar estar mais em contato com o silêncio - esteja eu aonde estiver. Estou me permitindo ter paz no perdão. Estou me perdoando por não conseguir ser - na maior parte do tempo - aquilo que planejei, perdoando o passado, as perdas, as renúncias, as rejeições. Estou encontrando o caminho de paz quando me permito sentir a rotina de forma mais sutil e simbólica. Cada caminho que faço tem um motivo e ele é muito precioso para mim.
Falando nisso, hoje conheci Francisco que consertou coisinhas no quarto novo. Ele olhou pela minha janela e disse: "Quase não tenho vontade de cobrar pelo serviço, só pelo prazer desta vista". Eu sorri, primeiro querendo que ele não cobrasse mesmo; depois por perceber o recado que ele me deu no dia de hoje. Paguei satisfeita por ter a janela funcionando de novo, e feliz pelo encontro com ele.

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