Passagem
A imagem apareceu e desapareceu com a mesma velocidade, bem diante aos meus olhos. Podia ter certeza de que eu tinha visto o desenho de alguém familiar. Sumiu, como se estivesse fugindo ou mesmo que nunca tenha acontecido. Nunca existiu aquele corpo, aquele desenho de silhueta. Fiquei sozinha na esquina como uma louca. Estava sozinha agora, entregue a minha presença unicamente e, estranhamente, não me senti sozinha. Estava completamente à vontade comigo, e, mais do que isso, ri da graça de uma cena absurda; rindo de desencontros que nunca existiram. Eu me vi rindo da loucura, e tendo prazer no silêncio da minha companhia.
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