Encontro

Eu achei que você pudesse me fazer esquecer o mundo lá fora e me ajudar nessa busca por viver apenas. Pensei que me perdendo no seu corpo eu poderia entender uma vez por todas que não existe nada além, nem futuro ou cobranças. Seríamos apenas nós, apenas dois corpos nus e exaustos da fome por conhecer um ao outro. Eu achei que descansando no seu corpo eu poderia, uma vez por todas, deixar de lado essa herança, esse pensamento herdado de que há uma enorme distância entre corpo e alma.
Eu pensei que pudesse me achar me perdendo no seu corpo, tocando a sua pele macia como se não houvesse urgência de mais nada, nada de eficiência, e o tempo passaria devagar enquanto eu conhecia o que havia de mais natural e humano em nós.
Eu não me enganei. Os seus belos olhos me fizeram ficar muda diante às minhas descobertas, do meu corpo, do seu cheiro, da liberdade que existe quando somos apenas naturais.
Eu me achei no seu corpo e como um animal que se satisfaz, eu saí sem pensar em você, nas suas dúvidas, nos seus medos e insegurança. Como apenas humana, eu saí pensando no que o meu corpo precisava mais, do que ele ainda pudesse ter fome ou desejo. Saí desse nosso encontro com a certeza de que não há pecado ou culpa quando no encontro físico de duas almas cansadas.

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